A arte da só-cialização



Quando Lenine cantou "hoje eu quero sair só", para dizer a verdade não entendi muito bem do que se tratava, apesar de óbvia a frase. O que eu não entendi foi a intenção. Porque querer sair só?
E fui compreendendo aos poucos que sair só é um evento, tanto quanto sair com boa ou boas companhias. Para mim, ainda parece que tem programas impossíveis de se fazer só, mas é que sou iniciante na arte - sim é uma belíssima arte em evolução -  da só-cialização, nem tudo vem naturalmente. Talvez nunca venha, para dizer a verdade, pois na minha cabecinha verde, metade da graça da festa é a companhia.
Nada disto muda o fato de que eu consigo, hoje, entender do que falava Lenine. E mais, consigo apoiar e aplaudir a ideia, ainda que apenas para algumas situações.
Uma sugestão: sempre que você se encontrar na dúvida cruel entre ficar em casa morrendo de raiva por não ter encontrado alguém para lhe acompanhar ou fazer de conta que esqueceu da vontade que estava de ir para qualquer lugar, opte pela terceira opção: Vá só, e descubra este novo mundo do entretenimento da só-cialização. Permita-se a perspectiva de auto entreter-se com seus pensamentos, olhares, sentimentos e sensações pelo caminho. Permita-se observar e absorver. Permita-se apreciar sem a interferência de nenhum outro olhar, exceto o seu próprio. Permita-se o seu tempo, sem apressamentos ou distrações. Permita-se sentir merecimento em mimar-se ao ponto de se fazer um dengo, se dar um pequeno agrado, se sentir bem e bonito na fita apoiando-se, unicamente, em suas duas pernas.
Libertadora e refrescante a sensação de se bastar, neste mundo que conta o valor das pessoas pela quantidade de contatos que ela tem nas redes sociais, ou pela quantidade de telefonemas que recebe no final de semana para sair.
Se a lua te chama e tens que ir para a rua, ora, vá! Responda ao chamado da lua, do sol, da chuva ou do frio, se for o caso. Mas, principalmente, responda ao seu chamado interno para fluir com a vida que lhe clama, e lhe propõe seguir um ritmo particular que, nem sempre, convenhamos, irá coincidir com o ritmo e desejos de outras pessoas.
Um filme, só, tem outro enfoque. Uma espetáculo de teatro, só, tem outra emoção. Um lanche, só, tem outro sabor. Uma caminhada, só, toma outros rumos. Uma compra, só, faz outras escolhas.
Nada de melhor ou pior do que estar acompanhado, não existe tal coisa. Apenas, inegavelmente diferente. Com uma cara única e entregue. Entregue a si mesma, perdendo-se longamente na voz de dentro e nos olhares invulgares que, sem dúvida, surgem.


Comentários

  1. A primeira que saí sozinha à noite, assim meio sem saber como agir ou o que fazer, mas inconformada de ter que me aquietar em casa só porque não tinha companhia; reencontrei o Alexandre - que não via há quase 2 anos, e não queria ver. Mas ó, teve jeito não... aí a primeira vez que saí sozinha, foi também a última vez. Era obrigado eu arranjar logo um marido? kkkkkkk... beijos, queridona!

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  2. :)
    Lindo!
    Queria ler esse texto e esse comentário na "Sorria"
    Viu, esse termo é criação sua?
    Daria um livro ótimo!!!
    Bjos!!

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  3. Ei meninas! Não sei pq, o blogspot enviou os comentários para minha caixa de spam e só agora os vi aqui! E adorei, ótima surpresa!
    Sankinha kkkkkkkk, adorei o "a primeira vez que saí sozinha foi também a última" kkkkkkkk Vc trapaceou, assim não vale kkkkkkkkkk Mas adorei, não poderia ter um final melhor.
    Lu, que bacana que vc curtiu! Meu texto, na sorria??? Puxa, eu ficaria em êxtase, capaz até de criar coragem e mandar! O termo é meu sim! Quem sabe desenvolvo melhor!! =]
    Beijos e utas, queridas!

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