Algumas barreiras é possível derrubar


Chega, em breve, mais um dia 9 de novembro, e com ele, o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, histórico muro que durante 28 anos, segregou pessoas e dividiu a Alemanha, e o mundo, em capitalista e socialista. A importância desta "comemoração" se iguala à importância de qualquer outra coisa que valha a pena celebrar: tornar vivo na mente e na alma o seu sentido.
Quaisquer tenham sido os motivos políticos que possibilitaram a queda - porque nada no mundo contemporâneo se faz sem justificativa ou benefício político - o resumo da história nos mostra que caiu uma barreira. Barreira física, sólida, imponente, que como todas barreiras se interpõe à homogeneização, à junção, ao acesso.
O muro, claramente expunha diferenças, até então, irreconciliáveis. Deixava visível a todo momento que quem estivesse de um lado automaticamente estaria impedido de estar no outro. Quem acreditasse, ou fosse forçado a acreditar, numa ideologia, estaria descartado para o pensamento contrário. O contrário é o adversário, afinal. Não apenas a oposição, mas o oponente, digno de luta. Não havia espaço para contrários complementares. Talvez hoje, muito timidamente, comece a acontecer um ensaio para a aproximação entre pontas de laços mundo afora. Vagarosos passos de uma marcha que precisará acontecer.
A lentidão é alimentada diariamente, em coisas pequenas, em diferenças pequenas. Sempre que nos contentamos com um entendimento herdado, pseudo-entendimento equivocado. Sempre que execramos outras verdades antes mesmo de serem desveladas por completo. Sempre que nos recusamos a abrir uma porta, ao menos uma janela, para o pensamento novo e perturbador.
Não há de haver grande mal na perturbação. Não há de ser inútil, ou fútil o duelo de idéias. Tudo converge para o engrandecimento de um limite. São elásticos os nossos limites, mas esquecemo-nos disso, ou preferimos ignorar. Nossa mente, um músculo abstrato que é imprescindível treinar.
Se o deixamos em sua zona de conforto, permanecerá flácido, inutilizado de suas imensuráveis potencialidades.
São lamentavelmente raras as vezes em que optamos por deixar cair nossas barreiras. Acomodados sem causa, dissimulamos não saber que as grandes barreiras do mundo são o reflexo aumentado das barreiras íntimas de cada um que se nega a deixar cair muros interiores.
São tamanhas as barreiras ainda fora de nosso alcance! Não nos enganemos, porém, quanto às barreiras que é possível derrubar.

.

Comentários

  1. Oi Bia...a música Poema Encanto não tem no youtube...eu tenho uns vídeos no meu orkut do grupo Bquadro cantando outras músicas próprias, bem legais também. Você tem orkut?

    Ah, quanto a essa, se quiser posso enviá-la por e-mail para você, é aó mandar o endereço ok ;)

    ResponderExcluir
  2. Uma beleza seu texto sobre as barreiras, Bia.
    Sempre que deixamos de lado a capacidade de sermos flexíveis, arma-se um esclerosamento a mais neste mundo.
    Beijo beijo!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Deixe o seu olhar

Postagens mais visitadas